Governo reformula proposta de sistema de avaliação

Enquanto aproximadamente seiscentos Auditores-Fiscais se concentravam em frente ao prédio do MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão), representantes das entidades do grupo Fisco foram recebidos pelo secretário de Recursos Humanos do Ministério, Duvanier Paiva, e pelo secretário da RFB (Receita Federal do Brasil), Jorge Rachid, no fim da manhã de ontem (24/4).
Os deputados pedetistas Paulo Pereira – o Paulinho da Força Sindical – e João Dado intermediaram a discussão. Os parlamentares também estiveram presentes na reunião da última quarta-feira (23/4) com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Ao abrirem os debates de ontem, os deputados citaram exemplos de negociações anteriores e aconselharam aos secretários a retirada do Sidec (Sistema de Desenvolvimento na Carreira) da discussão da Campanha Salarial.
Disposição – “Precisamos achar uma saída porque a greve está prejudicando o país. A saída é retirar o Sidec”, avaliou Paulinho. “Um gesto concreto de disposição para negociar é retirar o Sidec e criar um grupo de trabalho para discutir os critérios”, completou Dado.
Duvanier afirmou que o Sidec é um sistema aplicado a todas as categorias do serviço público. “Não podemos deixar o Sidec para depois, o sistema precisa estar junto do estabelecimento do subsídio, mas estamos abertos a discutir os critérios”, afirmou o secretário.
Os representantes dos Auditores insistiram que os critérios específicos do Sidec deveriam ser definidos fora da mesa de negociação. “Não vamos sair da greve com esse sistema de avaliação da forma como foi colocado”, ponderou o presidente do Unafisco, Pedro Delarue.
“O que está acontecendo é que vocês (interlocutores do Governo) estão impondo e pronto. Acho que o Governo está radicalizando. Se é assim, a reunião termina aqui e vou levar a questão para uma reunião que terei ainda hoje com o presidente Lula”, disparou Paulinho.
Critérios – “Como reflexo da reunião dos parlamentares com o ministro (Paulo Bernardo), estamos apresentando uma proposta de flexibilização dos critérios do Sidec para as entidades avaliarem e apresentarem uma contraproposta se for o caso”, anunciou o secretário Duvanier, tentando amenizar o clima de tensão da reunião.
No entanto, a proposta mais uma vez excluía o critério de antiguidade para efeitos de progressão e promoção, mantinha o tempo mínimo de 18 meses para progressão e o não-oferecimento de vagas para promoção caso a RFB (Receita Federal do Brasil) não alcançasse a meta de arrecadação projetada para o ano. Pontos que foram prontamente rejeitados pelo presidente do Unafisco e demais sindicalistas.
Negociação – Diante do impasse, os interlocutores do Governo se retiraram da mesa por aproximadamente quarenta e cinco minutos e voltaram com uma nova proposta ainda insatisfatória e que foi novamente rejeitada.
Delarue reforçou que o critério tempo está presente em todas as carreiras do serviço público e que, com a proposta do Governo, os Auditores poderiam nunca chegar ao topo da Carreira.
Depois de ouvir as inúmeras reivindicações, o secretário Duvanier se convenceu das especificidades da Classe e acatou a inclusão do critério tempo de serviço para efeitos de progressão e promoção, o interstício para progressão de 12 a 18 meses e a exclusão do artigo que estabelecia o alcance da meta da RFB como condicionante para abertura de vagas para promoção.
Além disso, também ficou estabelecido que o sistema de avaliação para fins de promoção terá seus critérios gerais definidos através de decreto e os específicos por meio de portaria interministerial, com a participação das entidades que representam a Classe na sua elaboração. A proposta do sistema de avaliação está anexa a este Boletim
Outros pontos – Os representantes dos Auditores também colocaram em discussão as demais reivindicações da Classe. “Para nós, ainda existem quatro pontos em que a negociação pode avançar: a solução do fosso salarial, a antecipação do calendário para 2009, um aumento no percentual de reajuste na primeira parcela e os valores dos salários inicial e final”, destacou Pedro Delarue.
Duvanier afirmou não estar autorizado para deliberar sobre as reivindicações dos Auditores relativas a questões orçamentárias no momento. O secretário disse que só poderão ocorrer avanços nessas questões a partir da suspensão da greve. No entanto, não garantiu melhorias na proposta apresentada no último dia 15.
Em relação à negociação dos dias parados, Duvanier afirmou que só após a conclusão do movimento a questão poderia ser discutida.
INÍCIO 
Avaliação
Assembléia vai apenas discutir proposta
A DEN (Diretoria Executiva Nacional) informa que, conforme deliberação do CNM (Comando Nacional de Mobilização), por consenso, a Assembléia Nacional de hoje será apenas para discussão da proposta de reformulação do sistema de avaliação de desempenho apresentada, ontem (24/4), pelo Governo. Dessa forma, as deliberações sobre os rumos da negociação só irão ocorrer em uma nova Assembléia Nacional marcada para a próxima quarta-feira (30/4).
Considerando que a presente Assembléia não é deliberativa, a idéia é que o debate entre os Auditores subsidie os próximos passos da diretoria, dando ainda mais legitimidade ao processo representativo. Sendo assim, a DEN solicita que as DSs (Delegacias Sindicais) enviem o mais rapidamente possível o posicionamento de suas bases para que sejam divulgados na Área Restrita do site.
Embora não encaminhe em relação à discussão, a DEN não pode se furtar de fazer um balanço sobre o que foi obtido na negociação até este momento no que diz respeito ao sistema de avaliação para efeitos de promoção e progressão.
Antiguidade – O sistema de avaliação passa a considerar os critérios de mérito e antiguidade. Antes só considerava o merecimento. A progressão passa a acontecer em um prazo que vai de 12 a 18 meses. Até ontem, o prazo era de, no mínimo, 18 meses. Além disso, houve o desatrelamento dos critérios de promoção da discussão da Campanha Salarial.
No entanto, os Auditores não podem se descuidar, já que esses critérios serão definidos no futuro, não por meio de lei, e sim por decreto e portaria interministerial. Isso significa que a discussão não chegará ao Legislativo e ficará restrita ao Executivo. Mas vale destacar que foi assegurada a participação das entidades que representam os Auditores nessa construção, caso a proposta seja aceita. Além de que será buscada a participação e o apoio dos parlamentares que têm auxiliado na atual fase da negociação.
Remuneração – Também é preciso ressaltar que, quanto à tabela remuneratória, a reunião de ontem (24/4) com o Governo não trouxe avanços. A questão do fosso, salários inicial e final, aumento da primeira parcela do reajuste e encurtamento do calendário ainda são pontos que precisam ser discutidos.
Diante desse cenário, a DEN entende que apenas a Classe tem o condão de decidir o rumo do movimento. Até a deliberação final, é fundamental que todos os Auditores permaneçam mobilizados na greve fora da repartição, sem assinatura de ponto e mantendo os 30% de atendimento mínimo, conforme definido em Assembléia. Essa postura será determinante para que todos os esforços despendidos até o momento possam se reverter em sucesso.