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RFB: Fusão dos fiscos ou fusão com o sindicato do fisco?

Novembro 4, 2008

As recentes nomeações de lideranças sindicais dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) para cargos estratégicos da Receita Federal do Brasil (RFB) têm chamado a atenção da mídia nacional, de algumas organizações ligadas ao debate da modernização da gestão no setor público e de políticos que defendem um serviço público profissional e impessoal.

O temor desses setores com o aparelhamento da RFB, dado o domínio que esse órgão possui sobre as atividades empresariais e privadas, coloca uma espada de Dâmocles sobre as cabeças de todos que assumirem uma postura pública contrária ao governo ou à corporação dos AFRFB. A falta de contrapesos ao excessivo poder dos AFRFB na condução da gestão do órgão – cuja concepção de “autoridade” reivindica para a sua corporação a guarda unilateral da justiça fiscal, sem considerar o que a sociedade pensa os atos das administrações anteriores condicionados muito mais pelas estratégias do sindicato do que pelo planejamento estratégico do órgão e a perspectiva de acirramento dessa promiscuidade com uma administração que incorporou o sindicato dos AFRFB no comando do órgão – abre uma perigosa brecha para o uso político desta importante instituição brasileira.

Neste momento, em nota publicada no sitio do sindicato dos AFRFB (Unafisco Sindical), intitulada “DEN e RFB irão discutir pontos descumpridos do acordo”, a secretária da Receita Federal do Brasil, Lina Vieira, teria mostrado a sua preocupação com um novo movimento grevista na “classe” (que é como eles se denominam, só faltando o complemento “dominante”) dos AFRFB que abriria diálogo direto entre a RFB e o Unafisco Sindical para solucionar as demandas dos AFRFB e que a RFB fará a ponte entre o sindicato, o Executivo e o Legislativo. Na matemática, se A=B e B=C, então A=C. Essa é a ponte? O Unafisco negociando diretamente com o governo pela RFB?

Caso esses compromissos se cumpram, a administração da RFB passa a desrespeitar a lógica sob a qual tem se pautado a tentativa de trazer a gestão estratégica para o setor público, desprezando, conforme querem os AFRFB, o Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda como “lócus” da decisão estratégica de gestão para a Administração Tributária.

Os Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil não aceitarão que a Administração da RFB seja uma Espada de Dâmocles pairando sobre a categoria impunemente. Nos preocupa que profissionais que assessoram o nosso sindicato temam em nos auxiliar nas ações políticas, técnicas e jurídicas em função do temor de represálias junto a RFB. Embora saibamos que a insanidade não deva chegar a esse ponto, o efeito psicológico já se faz notar.

Nos solidarizamos com o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, que se portou como um grande negociador, cumprindo o papel a ele delegado como representante do governo nas negociações, sempre fiel as posições do governo, como lhe cabia, mas se empenhando na busca de um consenso. Manifestamos o nosso voto de desagravo ao secretário. Classificamos como injuriosas quaisquer proposições que tendam a associar ao senhor Duvanier o caráter de anti-democrático ou intransigente.

Fonte: Boletim dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil – nº 211 de 4 de novembro de 2008